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(A) :: Sardoal e Mação reúnem caçadores e ICNF para travar aumento "exponencial" de javalis e financiar ações de controlo 

Sardoal e Mação reúnem caçadores e ICNF para travar aumento "exponencial" de javalis e financiar ações de controlo 

Presença dos animais está "fora do controlo" e a provocar preocupação. Caçadores já não dispõem de capacidade para armazenar javalis. "Temos de criar medidas para escoar", diz veterinário municipal.

Agência Lusa
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As Câmaras do Sardoal e de Mação vão reunir-se com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e associações de caçadores para procurar respostas ao aumento “exponencial” de javalis, disseram esta sexta-feira os presidentes dessas autarquias do distrito de Santarém. O autarca de Mação admitiu mesmo financiar medidas de controlo dos animais, que se aproximam das povoações, destroem culturas e têm provocado acidentes rodoviários.

https://observador.pt/2026/08/12/javalis-registados-em-video-a-atravessar-passadeira-em-setubal-grupo-caminhou-pelas-ruas-e-jardins-em-busca-de-comida/

“Há cada vez mais animais” e “há dois, três anos para cá isto [o aumento] tem sido exponencial”, afirmou à Lusa Pedro Rosa (PSD), considerando que o crescimento da população de javalis “saiu fora do controlo” e exige medidas para reduzir a densidade da espécie.

A situação levou a Câmara do Sardoal, no distrito de Santarém, a agendar para 29 de setembro uma reunião do Conselho Cinegético Municipal, com a participação do ICNF e das associações de caçadores do concelho.

Segundo o autarca, o encontro servirá para discutir soluções para controlar a população de javalis e perceber de que forma o município poderá apoiar as associações de caçadores nessa tarefa.

“Aquilo que nós pretendemos aqui no Sardoal é tentar encontrar com as nossas associações de caçadores uma forma de os apoiar a poderem fazer estas atividades de controlo de densidades”, afirmou.

Pedro Rosa apontou Alcaravela, Valhascos e Santiago de Montalegre entre as zonas mais afetadas, sobretudo devido à existência de pequenas explorações de agricultura de subsistência, havendo também situações noutras localidades do concelho.

O autarca relatou prejuízos em vinhas, hortas e outras culturas e disse que os animais se aproximam cada vez mais das casas e dos contentores de resíduos em busca de alimento.

Pedro Rosa associou esta aproximação ao crescimento da espécie, à menor disponibilidade de alimento nas zonas florestais e ao abandono de terrenos agrícolas mais afastados das localidades.

A presença dos animais está também a provocar preocupação entre moradores, embora o autarca tenha ressalvado que o javali não é habitualmente perigoso, podendo ter comportamentos imprevisíveis quando está ferido ou acompanhado de crias.

A segurança rodoviária é outra das preocupações, tendo Pedro Rosa dado conta de “diversos acidentes com javalis” no concelho, incluindo um recente que deixou uma viatura praticamente destruída.

O autarca apontou ainda dificuldades no destino a dar às peças abatidas pelos caçadores, considerando que a perda de valor económico do javali está a reduzir o interesse nas ações de controlo.

“Não há quem queira ficar com os javalis”, afirmou, relatando o caso de um caçador que lhe disse ter abatido este ano 15 ou 16 animais e já não dispor de capacidade para os armazenar.

O presidente da Câmara considerou ainda que o ICNF deve avaliar, com os caçadores e eventualmente com a academia, se os atuais períodos e regras de caça continuam adequados à evolução da população da espécie.

A problemática foi também discutida na quinta-feira na Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo, tendo os municípios decidido remeter uma exposição ao Governo a solicitar a inclusão dos 11 concelhos da região no projeto-piloto anunciado pelo ministro da Agricultura e Mar para controlar a população de javalis.

Segundo Pedro Rosa, todos os municípios do Médio Tejo enfrentam, em maior ou menor grau, problemas relacionados com a espécie.

José Manuel Fernandes anunciou recentemente que o Governo está a preparar um projeto-piloto que prevê uma compensação financeira por cada javali abatido em zonas onde seja identificada uma população excessiva, não tendo ainda sido divulgados o valor, os territórios abrangidos e as regras.

Pedro Rosa considerou que o projeto “pode ser uma solução”, esperando que “não seja apenas um paliativo neste momento, dada a dimensão do problema”.

A problemática dos javalis tem sido sinalizada há vários anos na região, com agricultores de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação a relatarem prejuízos em culturas agrícolas e pequenas hortas.

“Abertura total” em Mação para financiar ações de controlo

“Da parte da Câmara, abertura total para poder dar apoios, para promover estas ações”, afirmou à Lusa José Fernando Martins (PS), após uma reunião entre o município, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) e oito das nove associações de caçadores com atividade no território.

O encontro, realizado esta sexta-feira em Mação, no distrito de Santarém, não resultou ainda em medidas concretas, tendo ficado agendada uma nova reunião para 25 de setembro, na qual deverá ser delineado um plano de ação para a correção extraordinária da densidade de javalis.

“Hoje, nesta reunião, não chegámos a conclusões efetivas ou medidas de trabalho efetivo. Chegámos à conclusão que temos de trabalhar e temos de trabalhar muito para podermos fazer esta correção das densidades dos javalis”, afirmou.

Até à próxima reunião, as associações de caçadores deverão discutir internamente o problema e apresentar propostas concretas, enquanto a Câmara vai estudar formas de apoio às ações a desenvolver.

Entre as possibilidades admitidas pelo município estão apoios financeiros a matilhas e licenças, a instalação de uma câmara frigorífica para armazenamento das peças abatidas, soluções para o seu escoamento e intervenções na manutenção das zonas de caça.

Segundo José Fernando Martins, o veterinário municipal participou na reunião e vai estudar soluções para o destino dos animais abatidos, uma questão considerada essencial para que o aumento das ações de controlo seja viável.

“Não podemos só abater os javalis, temos também que criar medidas para depois escoar este produto“, afirmou.

O autarca disse que as associações identificaram os custos da atividade como uma das principais dificuldades para aumentar os abates, juntamente com a redução e envelhecimento dos caçadores, a falta de jovens na atividade, a densidade do mato e dificuldades de circulação em caminhos e estradões.

A reunião serviu também para decidir a criação do Conselho Cinegético Municipal, atualmente inativo, estrutura que deverá reunir as entidades ligadas ao setor e facilitar a articulação com o ICNF.

Segundo José Fernando Martins, o ICNF reconheceu a existência de um elevado número de javalis no país e na região e manifestou disponibilidade para colaborar nas medidas de correção extraordinária de densidade.

O presidente da Câmara defendeu ainda a inclusão de Mação no projeto-piloto que o Governo está a preparar para reduzir a população de javalis em zonas onde seja considerada excessiva.

“Aquilo que espero é que, da parte do Governo, Mação possa estar nesta zona-piloto e possamos fazer parte deste projeto”, afirmou, defendendo que eventuais apoios nacionais devem ser articulados com as medidas que venham a ser adotadas localmente.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Médio Tejo decidiu na quinta-feira solicitar ao Governo a inclusão dos 11 municípios da região no projeto-piloto, uma posição que José Fernando Martins disse resultar das “preocupações muito grandes” existentes no território.

O ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, anunciou recentemente a preparação de um projeto-piloto que prevê uma compensação financeira por cada javali abatido nas zonas onde exista excesso destes animais, não tendo ainda sido divulgados o valor, os territórios abrangidos e as regras.

Na semana passada, José Fernando Martins tinha dito à Lusa que os problemas com javalis abrangiam todo o concelho de Mação, com animais a entrarem nas aldeias, destruírem pequenas culturas e provocarem danos e acidentes rodoviários.

O autarca associou então o aumento da presença dos animais junto das localidades ao crescimento da espécie e ao abandono de terrenos agrícolas mais afastados das habitações.

O ICNF admite que a população de javalis ronde atualmente os 300 mil animais em Portugal continental.