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(A) :: Associação de Revendedores de Combustíveis acusa Governo de mentir aos portugueses e exige mais fiscalização

Associação de Revendedores de Combustíveis acusa Governo de mentir aos portugueses e exige mais fiscalização

O presidente da ANAREC pede para "baixar a carga fiscal sobre os combustíveis" devido a perda de "competitividade exagerada" face a Espanha. Diferenças podem oscilar entre 30 a 40 cêntimos.

Agência Lusa
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O presidente da ANAREC, João Durão, acusou esta sexta-feira o Governo de “ganhar dinheiro com os combustíveis, de mentir aos portugueses” e exigiu “mais fiscalização para travar o contrabando” diário entre Espanha e Portugal.

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O responsável da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis, que falava aos jornalistas num posto de abastecimento de combustíveis, em Lanhelas, Caminha, referiu que o Governo “tem de baixar a carga fiscal sobre os combustíveis” porque as empresas estão a “perder competitividade exagerada” face a Espanha.

“Num euro de gasóleo, 60 cêntimos são impostos. Em Espanha nada disso se passa”, referiu João Durão.

Seis quilómetros separam Caminha de Vila Nova de Cerveira, onde a Ponte da Amizade faz a ligação a Tomiño, na Galiza, onde a diferença de preços nos combustíveis oscila “entre os 30 a 40 cêntimos”.

“Se a diferença fiscal fosse de 10 ou 15 cêntimos nada disto acontecia (…) O Governo está a mentir aos portugueses e isso tem de ser esclarecido”, apontou o responsável.

O “exemplo da garrafa de gás [preço] subiu estrondosamente. Aumentou de 25 para 35 euros. Em IVA quanto é que o Governo foi buscar”, questionou.

“É um bem de primeira necessidade. Qual foi o apoio que a senhora da Energia deu à garrafa de gás”, continuou.

João Durão adiantou que “a diferença tão grande nos impostos é uma tentação para as pessoas” para justificar o contrabando de combustíveis na fronteira.

“É normal, compreendemos as pessoas. É triste é que o dinheiro dos impostos dos portugueses fique em Espanha (…) São milhões de euros. A ENSE — Entidade Nacional para o Setor Energético tem de fiscalizar mais. A ENSE tem atuado, mas deve aumentar” a sua atividade, referiu.

O proprietário do posto de combustível onde a ANAREC falou aos jornalistas, João Fernandes, revelou que “o combustível que entra ilegal em Portugal” é aquele que os contribuintes portugueses vão buscar a Espanha face “à diferença tão grande” de preços.

“São carrinhas, camiões, é de noite, de dia a qualquer hora a ir buscar bidões. Acontece todos os dias”, frisou.

João Fernandes alertou que os agricultores portugueses estão a ir buscar gasóleo rodoviário a Espanha, “mais barato que o gasóleo agrícola em Portugal que é bonificado pelo Estado”.

“Isto não pode continuar assim. É muito provável que o Governo espanhol esteja a ganhar mais dinheiro com os descontos que está a fazer nos combustíveis, porque as vendas passaram para o triplo”, especificou.

O presidente da ANAREC avisou que esta foi “a primeira ação” que realiza para “alertar o Governo para a necessidade de redução da carga fiscal e aumento da fiscalização e que outras se poderão seguir” se as reivindicações da associação não forem tidas em conta.

A associação vai enviar ao Governo um pedido de esclarecimento sobre o assunto e, na próxima semana, vai pedir uma reunião para discutir o impacto que a subida dos preços dos combustíveis está a ter nos consumidores, nas empresas e na economia nacional.