Apenas 12 pontos no primeiro set, uma subida para 18 no segundo, um fecho com 20 no terceiro. Apesar das evidentes diferenças entre Portugal e uma Polónia que é campeã europeia em título, vice-campeã olímpica e antiga campeã mundial, João José foi pedindo mais a uma equipa que tem neste Campeonato da Europa um teste à renovação geracional que se encontra a fazer. Houve algumas melhorias com o decorrer da partida, podia ou não ter sido suficiente para apagar os 20 minutos iniciais carregados de ansiedade em Sófia. E esse teste para perceber a evolução de Portugal surgia pouco mais de 24 horas depois diante da Bulgária, que além de ser a atual vice-campeã mundial jogava com uma Arena 8888 cheia com cerca de 15.000 espectadores.
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“A Polónia foi melhor do que nós, como era expectável. Podíamos ter feito melhor na entrada do primeiro set. Depois, conseguimos corrigir algumas coisas no segundo e no terceiro que permitiram equilibrar o jogo em vários momentos, mas ainda não foi suficiente. Mantivemo-nos organizados em parte do tempo e a Polónia, também com o seu mérito à mistura, conseguiu desorganizar-nos com a sua agressividade no serviço e também no ataque. Ainda assim, na transição podíamos ter aproveitado um bocadinho melhor todas as oportunidades que criámos, porque isso é que iria equilibrar efetivamente o set”, assumiu João José.
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“Bulgária a jogar com pavilhão cheio? Isso tem de ser uma motivação. Treinamos e jogamos porque gostamos de pavilhões cheios. Se fosse na nossa casa era melhor, mas em casa de uma equipa adversária, também nos dá algum gosto de jogar. Vai ser um dia diferente com o mesmo objetivo. Vai ser um jogo igualmente difícil, da mesma forma que o próximo será. Até ao final não estamos à espera de facilidades. Temos de retirar os momentos em que conseguimos estar organizados. Às vezes, a grande dificuldade com estas equipas que têm um poderio físico maior é a equipa manter-se organizada e conseguir ir absorvendo aquilo que é a parte física deles. Conseguimos fazê-lo mas depois não conseguimos transformar aquilo que é a nossa parte física para contrariar isso. Estou a falar mais naquilo que é o ataque da transição”, apontou o selecionador.
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Estavam lançadas as bases para uma partida que não deveria andar longe das “bases” da estreia frente à Polónia, com essa particularidade de ser um reencontro frente a uma Bulgária que venceu Portugal nos oitavos do último Mundial e numa fase onde se começavam a desenhar cenários teóricos sobre como a Seleção podia avançar para os oitavos, com a Ucrânia a mostrar que é a principal candidata a segurar uma vaga no top 3 com Polónia e Bulgária e com a formação nacional a discutir com Israel e Macedónia do Norte a outra posição entre os quatro primeiros. Todos os sets contavam, todos os pontos podiam contar.
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Ao contrário do que aconteceu na estreia com a Polónia, Portugal teve uma outra capacidade de ir dando luta ao conjunto búlgaro mantendo o resultado nivelado. A agressividade no serviço não só se manteve como teve uma eficácia muito maior para colocar outras dificuldades na receção, o jogo baixo nacional melhorou muito, a capacidade de converter os sideouts aumentou. “Mantém, mantém. Estamos a ser uma equipa, mantém”, pedia João José na primeira paragem técnica, mais para travar a rotação com Aleksandar Nikolov no serviço do que propriamente para corrigir algum aspeto que estivesse a falhar. Kelton Tavares, com um serviço direto, fez o 12-11 para Portugal a meio do parcial, com o líbero Gonçalo Sousa bem mais efetivo no primeiro toque menos nas “bombas” dos irmãos Nikolov, com Simeon a colocar o resultado em 15-13 na sua rotação antes do “disparar” com alguns ataques falhados por Portugal que fechou o primeiro set em 25-18.
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Olhando para os números, o jogo parecia não ser assim tão diferente em relação ao anterior. Não parecia, era. Sempre que a Seleção conseguia acertar na receção e ter uma boa primeira bola para a distribuição de Bruno Dias (ou simplesmente manter a bola no ar), não foram muitas as bolas que não acabaram em ponto. Até as ocasiões de contra-ataque que surgiram tiveram mais eficácia do que diante da Polónia. No entanto, a exibição dos irmãos Nikolov, com Simeon a distribuir (ou a atacar ao segundo toque) e Aleksandar a atirar autênticos morteiros de qualquer zona ofensiva, foi desequilibrando também o segundo parcial, com João José a pedir um desconto de tempo com 12-8 antes de um equilíbrio que só na parte final foi desfeito, com a Bulgária a fechar também o segundo set por 25-18 deixando tudo encaminhado para o triunfo por 3-0.
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Nem mesmo esse período menos conseguido teve influência no rendimento nacional na partida, que tinha agora André Pereira como melhor marcador. Portugal começou o terceiro set com constantes vantagens até ao 8-7 para os búlgaros, que chegaram ao 14-12 para a primeira paragem técnica dos portugueses. “Isto está 14-12 para eles mas devia estar 14-12 para nós. Isto não era para eles, temos de continuar”, pedia o técnico, que estava notoriamente mais “envolvido” no jogo a tentar evitar uma derrota pela margem máxima apesar do maior poderio dos visitados. No final, com o maior desgaste a provocar um acumular de erros, os irmãos Nikolov conseguiram mesmo fechar a partida com 25-20, batendo uma Seleção que volta a estar numa versão “família” sob o comando de João José antes dos três encontros que irão definir este Europeu.
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