Quinta-feira foi dia de João Almeida se mostrar em grande plano na Volta a Espanha. No contrarrelógio que podia ser decisivo nas contas da geral, embora favorecesse os puros especialistas, o português mostrou-se na primeira parte com um tempo canhão que o atirou para o primeiro lugar após o primeiro ponto intermédio e para o terceiro lugar no final do dia, apenas batido por Stefan Küng (Tudor) e Callum Thornley (Red Bull-Bora-hansgrohe). O português da UAE Team Emirates-XRG ficou a apenas 8,78 segundos do primeiro lugar do suíço, num dia em que o colega Ivo Oliveira foi oitavo e Enric Mas (Movistar) voou como nunca para se defender de Primoz Roglic (Red Bull), que subiu ao segundo lugar a 1.37 minutos do espanhol.
https://observador.pt/2026/09/10/joao-voltou-a-botar-lume-no-dia-de-king-kung-e-de-super-mas-almeida-terceiro-no-contrarrelogio-a-nove-segundos-do-suico/
“Estamos todos um pouco no limite e o calor torna tudo ainda mais difícil. Está a ser uma Vuelta complicada, com quedas, lesões, doenças… Não é o nosso melhor momento, mas partimos sempre para dar tudo o que temos. Todos os dias. Tive muita dificuldade em voltar a sentir-me bem na bicicleta e ainda estou muito longe da minha melhor forma física. Agora será mais importante encontrar sensações do que resultados até ao final da época”, partilhou o Bota Lume ao jornal AS, que documentou em números o difícil ano que a Emirates tem ultrapassado: em 2026 a equipa passou por 17 ruturas em 16 ciclistas diferentes, para lá das doenças sofridas por Almeida e Brandon McNulty que podem levar a um período de recuperação de quase um ano, disse o diretor desportivo Matxín.
“Tínhamos em mente que este era o tempo que podíamos perder. No primeiro [ponto intermédio] eram 19 segundos, depois 26, depois 39 e, no final, 34. Por isso estou contente. Vantagem? Não, não é muito. Ainda faltam dois dias realmente importantes, e também o final em Granada, por isso temos de estar muito concentrados e trabalhar arduamente“, começou por dizer Mas. Questionado sobre a última vez que a Vuelta tinha uma etapa a terminar em Jerez de la Frontera, em 2014, ano em que um espanhol venceu pela última vez, o camisola roja recordou o triunfo de Alberto Contador: “Naquela altura eu era criança e ele era o meu ídolo, porque quando eu tinha 13 ou 14 anos ele ganhava tudo. Por isso, significa muito para mim”.
https://twitter.com/laflammerouge16/status/2098318927075963348?s=20
Antes do fim de semana, as decisões da Volta a Espanha voltaram a passar por uma etapa de montanha, com a condicionante de ser a mais longa desta edição, com 210,8 quilómetros e 4.190 metros de desnível positivo acumulado, distribuídos por três contagens de montanha. A primeira apareceu apenas 76 quilómetros depois da partida em Vélez-Málaga, que voltou à prova seis anos depois. Superado o Puerto de las Abejas (14,5 km a 4,3%), seguia-se o Puerto del Viento (13,1 km a 3,7%). O final estava reservado para Peñas Blancas, em Estepona, cidade conhecida como o “jardim da Costa do Sol”. Esta subida tornou-se no primeiro final em alto da região de Málaga em 2013 e, em 2022, viu triunfar Richard Carapaz. Até lá chegar havia que passar por um longo caminho de 18,7 quilómetros a 6,5%, que fazia desta a segunda escalada mais dura desta edição.
Küng e Yevgeniy Federov (XDS Astana) abandonaram antes da partida e Paul Double (Jayco AlUla) também disse adeus à Vuelta na primeira parte da etapa, que ficou marcada por uma estonteante média de 49,3 km/h até ao início da primeira subida. Nessa fase, a fuga tinha pouco mais de 30 segundos de vantagem e era composta por Ivo Oliveira, Kevin Vermaerke (Emirates), Steven Kruijswijk (Visma-Lease a Bike), Bastien Tronchon (Groupama-FDJ United), Tobias Halland Johannessen e Andreas Leknessund (Uno-X Mobility), e Jasha Sütterlin (Jayco). Com a EF a trabalhar para Carapaz (EF Education-EasyPost), o alemão e o neerlandês perderam o contacto e Eddie Dunbar (Pinarello Q36.5), Filippo Zana (Soudal Quick-Step) e José Luis Faura (Burgos Burpellet BH) fizeram a ponte para a frente em Las Abejas.
https://twitter.com/Eurosport_ES/status/2098390580812189766?s=20
A corrida acabou por continuar num rumo louco nessa subida, ao ponto de um grande grupo ter chegado à fuga, de alguns ciclistas, como Oliveira, terem sido alcançados, e de Richard Carapaz ter atacado a… 108 quilómetros da meta, numa jogada que deixou o grupo principal reduzido aos três primeiros e a Santiago Buitrago (Bahrain-Victorious), que viria a prosseguir para se juntar na dianteira. O equatoriano não se contentou com essa jogada e voltou a arrancar a 96 quilómetros da chegada, mas Enric Mas, Primoz Roglic e Felix Gall (Decathlon CMA CGM) reagiram bem. Rudy Molard (Groupama) foi o primeiro a atacar em Peñas Blancas, com resposta de Buitrago e Thomas Gloag (Pinarello). A movimentação acabou por ser anulada já dentro dos últimos 15 quilómetros, fruto do trabalho de Pau Miquel (Bahrain).
Mais à frente, o colombiano voltou a ficar na frente com o britânico, Dunbar e Urko Berrade (Kern Pharma), ao passo que, no grupo dos favoritos, a EF tratou de aumentar o ritmo com Juan Rodríguez Contrera. Na fase mais dura, a dois quilómetros do alto, Buitrago arrancou sem resposta de ninguém, com Dunbar a reagir pouco depois, a chegar ao Bahrain a 500 metros do alto e a passar diretamente pelo líder da classificação da montanha, arrancando para a sua terceira vitória na Volta a Espanha, depois de ter bisado em 2024. Buitrago chegou a 14 segundos e reforçou a sua camisola, ao passo que Gloag demorou mais 23 segundos. No grupo principal, o primeiro ataque pertenceu a Roglic, com resposta de Mas, Oscar Onley (Netcompany Ineos), Gall e Carapaz. Jakob Omrzel (Bahrain) reentrou e contra-atacou, mas foi alcançado depois de novo ataque de Gall.
https://twitter.com/Eurosport_ES/status/2098430174047928424?s=20
No sprint final, o austríaco bateu o equatoriano, terminando a 5.11 minutos com o mesmo tempo dos rivais. Nesse sentido, o topo da geral está tal e qual como começou o dia, com Enric Mas a partir para a última etapa de montanha com 1.37 minutos de vantagem para Primoz Roglic e 3.01 face a Felix Gall. No que concerne ao top 10, a única mudança foi a subida de Cristián Rodríguez (XDS) ao oitavo lugar, por troca com Mattias Skjelmose (Lidl-Trek).