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Realeza europeia e autoridades internacionais reunidas no funeral de Harald V da Noruega

Com a presença de praticamente todos os Reis europeus com a exceção de Carlos III, o funeral de Harald V da Noruega assinala o último adeus ao monarca e consagra Haakon VIII como o novo Rei.

Sâmia Fiates
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Quatro anos depois da morte de Isabel II, a Europa vive o funeral de outro monarca reinante. Nesta quarta-feira, 9 de setembro, realizam-se as cerimónias fúnebres de Harald V, em Oslo, na Noruega. O cortejo fúnebre deixou o Palácio Real em direção à Catedral de Oslo às 12h locais, 11h em Portugal Continental, e por volta das 16h (15h em Portugal), a família real deixou o Castelo de Akershus, onde fica o mausoléu real. O dia de homenagens oficiais encerrou-se por volta das 17h, 16h em Portugal, com uma aparição da família real na varanda do Palácio Real, ovacionada pelos milhares de pessoas que aguardavam na praça.

De acordo com as autoridades norueguesas, mais de 50 mil pessoas acompanharam o cortejo fúnebre na avenida Karl Johans Gate, no centro de Oslo. A urna do antigo monarca foi puxada por um Mercedes Geländewagen preto. Atrás, seguiu o Rei Haakon VIII, caminhando ao lado dos próximos três na linha de sucessão ao trono norueguês: a princesa herdeira Ingrid Alexandra, o príncipe Sverre Magnus e a princesa Märtha Louise. Dentro de um veículo atrás, seguiram a rainha Sonja e a Rainha Mette-Marit, que por questões de saúde não puderam acompanhar o cortejo a pé.

Na Catedral de Oslo esperavam ainda o marido de Märtha Louise, Durek Verrett, que passou por um transplante de rim em agosto, as filhas da princesa e o enteado de Haakon VIII, Marius Borg Høiby, que deixou Skaugum, a residência oficial da família, sob uma autorização judicial para acompanhar o funeral, visto que cumpre pena domiciliária após a condenação por mais de 30 crimes em junho. A princesa Astrid, irmã mais velha de Harald V, de 94 anos, também estará confirmada na cerimónia na Catedral de Oslo. Na última semana a princesa, que ainda representa a realeza em eventos oficiais, esteve na Capela do Palácio para prestar homenagens ao irmão.

Autoridades e membros da realeza de todo o mundo juntaram-se à procissão desta manhã. A organização providenciou autocarros para transportar os convidados dos hotéis no centro de Oslo até ao Palácio Real. Do Reino Unido, vieram o príncipe William e a princesa Ana, que participa no funeral em caráter privado, por ser madrinha de Haakon VIII. Mas a cerimónia marca a reunião de praticamente todos os monarcas reinantes europeus com a exceção de Carlos III. Estiveram presentes a família real sueca completa: os Reis Carl Gustaf e Silvia (que não seguiu com o cortejo), a princesa herdeira Victoria e o marido, o príncipe Daniel, o príncipe Carl Philip e a mulher, a princesa Sofia, e a princesa Madeleine com o marido; os Reis dos belgas, Philippe e Mathilde; os Reis da Dinamarca, Frederik X e Mary e o filho, o príncipe Christian; os Reis Willem-Alexander e Maxima, dos Países Baixos, com a filha, a princesa Catharina-Amalia; os Reis de Espanha, Felipe VI e Letizia e a rainha emérita Sofía, que como a Rainha Silvia, não seguiu com o cortejo; os Grão-Duques do Luxemburgo, Guillaume e Stéphanie, e o grão-duque emérito Henri; os príncipes Alois e Sophie, do Liechtenstein; o Príncipe Alberto II e a princesa Charlene, do Mónaco; os príncipes do Japão Akishino e Kiko; os Reis da Jordânia, Abdullah e Rânia; e o príncipe Pavlos, da Grécia.

Também participam nas cerimónias fúnebres representantes de governos e chefes de Estado, como o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre, o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, e os Presidentes da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, da Estónia, Alar Karis e da Lituânia, Gitanas Nausèda.

Exatamente às 13h iniciou-se a cerimónia fúnebre do Rei Harald V na Catedral de Oslo, com um minuto de silêncio em todo o país, assinalado pelo toque de três sinos ao início e no final. Presidida pelo bispo presidente Olav Fykse Tveit, com a participação da bispa de Oslo, Sunniva Gylver, a cerimónia seguiu os ritos fúnebres da Igreja da Noruega. O cantor da Catedral, Marcus André Berg, conduziu a música sacra juntamente com o Coro da Catedral de Oslo — o programa musical começou com um hino criado em 2007 para Harald V e Sonja, na altura em que ambos assinalaram os seus 70 anos. “No stig vår song” encerra com “uma oração pela luz do verão eterno”, informa a Casa Real.

O Presidente do Storting, o Parlamento norueguês, Masud Gharahkhani, abriu a tribuna de discursos, a agradecer o papel de Harald V para o país. A seguir, também o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, proferiu algumas palavras em memória do rei. “Quando nós comemorávamos, ele comemorava connosco, com risos e um brilho nos olhos. Depois de 22 de julho, quando a tristeza nos atingiu, ele sofreu connosco”, recordou, sobre o atentado à ilha de Utoya em 2011, que resultou na morte de 77 pessoas. Também a princesa herdeira da Suécia, Victoria, teve uma participação na cerimónia, quando recitou a oração de São Francisco de Assis em sueco.

A cerimónia também foi marcada por um momento em que cinco mulheres, uma cristã, uma humanista, uma budista, uma judia e uma muçulmana, representantes de “diferentes religiões e filosofias”, acenderam velas em homenagem ao rei. “Acendemos uma vela em gratidão por tudo o que nos une. Acendemos uma vela em gratidão pelo calor humano e pelo riso. Acendemos uma vela em gratidão pela diversidade na comunhão, pela fé no futuro e pela esperança”, anunciaram. Depois, foi interpretada uma conhecida canção folclórica norueguesa, “Jørgen Hattemaker”. Houve ainda momento para a leitura de escrituras na língua sámi, povo indígena que habita uma região que compreende o território norte da Noruega, da Finlândia, da Suécia e a península russa de Kola.

No final do serviço na Catedral de Oslo, quatro caças F-35 sobrevoaram o centro da capital norueguesa numa formação conhecida por “o homem perdido”, em que um dos jatos deixa a sua posição, o que simboliza a perda de um ente querido.

Funeral privado no Castelo de Akershus

A seguir à cerimónia na Catedral de Oslo, um cortejo menor, liderado pelos três Reis nórdicos, Haakon VIII, Carl Gustaf da Suécia e Frederik X da Dinamarca, conduziu a urna até à Igreja do Castelo de Akershus, onde fica a cripta real. O percurso é de cerca de um quilómetro — e os outros convidados seguiram em viaturas.

Foi neste castelo medieval datado de 1300, nas margens do Oslofjord, que decorreu uma breve cerimónia privada para a família e os convidados da realeza. A urna foi então levada para o mausoléu real, na capela do Castelo, onde já se encontram os sarcófagos do Rei Haakon VII e da Rainha Maud, avós de Harald V, e do Rei Olav e da princesa Märtha, pais do antigo monarca.

Depois da cerimónia, Haakon VIII e Mette-Marit saíram lado a lado para o pátio do Castelo de Akershus. As bandeiras que estavam hasteadas a meio mastro ao longo do percurso do cortejo fúnebre foram içadas até ao topo, e uma salva real dupla, de 42 tiros, foi disparada. Simultaneamente, os sinos das igrejas do país passaram a tocar por uma hora. A família real regressou então ao Palácio Real, pelo mesmo trajeto percorrido anteriormente.

Com alguns minutos de atraso, pelas 16h50, o Rei e a Rainha, a princesa herdeira, a Rainha Sonja e o príncipe Sverre Magnus apareceram na varanda do Palácio, para saudar os milhares de pessoas que aguardavam na Praça do Palácio. Depois, a família organizou uma receção no Palácio para os membros da realeza, com Haakon, Sonja e Ingrid Alexandra a cumprimentar cada um dos convidados de outras casas reais.

Até à passada terça-feira, 8 de setembro, o povo norueguês teve oito dias seguidos para visitar a Capela do Palácio Real, em Oslo, e prestar o seu tributo junto da urna de Harald V. No passado fim de semana, com o horário estendido até às 23h, a Casa Real estima terem passado mais de sete mil pessoas por dia. Contas feitas, é possível que mais de 40 mil noruegueses se tenham juntado para a derradeira despedida do antigo monarca. Já esta quarta-feira, as autoridades norueguesas avançam com um total de 53 mil pessoas na avenida principal de Oslo.

A Casa Real declarou um período de luto até 9 de outubro, um mês após o funeral, o que significa que todos os programas oficiais estão cancelados, com exceção das reuniões de gabinete, da abertura do Storting, o Parlamento norueguês, e de audiências selecionadas. Durante o período de luto na corte, tanto a família real quanto os funcionários usarão roupas escuras ou uniformes com faixas de luto.